Mercado

Cafeicultores capixabas afetados pela seca podem acionar seguro

 

postado em 23/02/2010 | Há 7 anos

22/2/2010 - Os cafeicultores que perderam 30% das lavouras ou 70% da produção de café por causa da seca deste início de ano vão poder acionar o seguro. O “Proagro Mais”, garantido ao produtor com a linha de financiamento “Pronaf Custeio”, quita a operação caso o prejuízo seja comprovado. A notícia foi divulgada na última quinta-feira (18) pelo coordenador regional do programa “Renovar Arábica”, Fabiano Tristão, do escritório do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper -  em Venda Nova.

O “Proagro Mais” assegura o cafeicultor em caso de intempéries como chuvas de granizo, pragas sem controle conhecido e estiagens como a que está atingindo a Região Serrana Capixaba. Há quase dois meses não chove e, de acordo com o extrato do balanço hídrico mensal do Incaper, o déficit já é de 50 mm. Para complicar ainda mais a situação dos produtores, as dívidas com a compra de adubo vencem em maio, e não há café no pé em condição de saldar essa dívida.

“Comecei a me preocupar a partir de 10 de janeiro, quando não tinha previsões de chuva, mas nunca imaginei que fosse chegar a esse ponto. Estamos aguardando uma posição do governo e, claro, a chuva vir”, disse o cafeicultor José Luiz Pimenta, de Lavrinhas, zona rural de Venda Nova.

Segundo Tristão, a perda é irreversível. As lavouras mais novas são as mais castigadas. “Só em Venda Nova perdemos 30% da produção de arábica, o equivalente a 15 mil sacas diretamente”. O técnico recomenda aos cafeicultores acionar imediatamente o seguro. “Estamos bastante preocupados e orientamos os cafeicultores a procurar o agente financeiro do banco onde fez o financiamento para negociar essa dívida.”

A seca também provoca uma perda indireta na produção de cafés especiais. Ocorre justamente na fase de granação, que é importante para garantir a despolpa do grão após colhido. Os grãos que não granarem direito vão boiar e não vão garantir café de qualidade que, atualmente, agrega R$ 100,00 por saca.

“O ganho do café hoje é a qualidade. Estamos muito preocupados. Meu pai tem 94 anos e diz que nunca viu um tempo tão quente”, diz o produtor Ivan Caliman, presidente da Cooperativa dos Cafeicultores das Montanhas do Espírito Santo- Pronova.

 

 Leandro Fidelis

(Rádio FMZ)

 

Veja tambÉm: