Consumo

CHÁ FALTA COMPRADORES - Produtores de chá de Manica sem forma de escoar colheita

 

postado em 29/11/2009 | Há 7 anos

Diário de Notícias - Lisboa

Moçambique

por LUSAHoje

Encerramento de fábricas de processamento no Zimbabwe está a obrigar a destruir produção por falta de compradores

Produtores de chá da província moçambicana de Manica estão a perder toda a colheita devido ao encerramento das principais fábricas de processamento no Zimbabwe e dizem-se marginalizados pelo governo local. Os camponeses de Mossurize dispunham de um único mercado para colocar o produto e sentem-se agora perdidos, sem saber o que fazer a tanto chá.

"Temos muita produção, mas acaba tudo destruído por falta de mercado, devido ao encerramento das empresas compradoras no Zimbabwe. E fora deste país não temos alternativa de venda do chá", disse à Lusa John Macuiana, um dos produtores.

O Zimbabwe atravessa desde 2001 uma aguda crise política, económica e social, originada por uma contestada reforma agrária e que causou um colapso dos serviços públicos e quase paralisou o aparelho produtivo.

"Logo que as empresas (South Down e Tanganda Tea) ligadas ao processamento de chá no Zimbabwe fecharam, vários campos de produção em Mossurize ficaram abandonados e os camponeses desistiram", disse o agricultor Jeremias Thube.

Dos 250 agricultores que se dedicavam à produção de chá no distrito de Mossurize, perto da fronteira com o Zimbabwe, apenas 70 continuam com o cultivo, mas o rendimento, dizem, é desencorajador.

O custo da compra baixou dos sete meticais o quilo (17 cêntimos de euro) para 1,50 meticais o quilo (três cêntimos de euro). Mesmo assim, várias vezes a produção é destruída por falta de compradores.

O governo da província de Manica admitiu haver um "desperdício de produção de chá" em Mossurize, mas garantiu que esforços estão em curso para reverter o actual cenário.

 

 

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