Mercado

Ritmo de embarques de café no Brasil vai caindo no fim de ano

 

postado em 27/11/2009 | Há 8 anos

Agência Safras

27/11/2009

Como era de se esperar, o ritmo dos embarques de café no Brasil vai caindo de forma sensível nos últimos meses. O Brasil colheu uma safra bem menor este ano diante do ciclo bienal da cultura, e isso vai sendo mais observado agora, de forma bem clara. Ainda há desempenho positivo em volume no acumulado do ano, garantido pelas amplas exportações do primeiro semestre de 2009. A primeira metade do ano ainda refletia a grande produção colhida pelo Brasil em 2008 e o crescimento do interesse pelo café brasileiro com a oferta restrita de cafés lavados colombianos e da América Central diante de problemas com o clima.
 
As exportações brasileiras totais de café no acumulado de 2009, de janeiro a outubro, chegam a 24,829 milhões de sacas de 60 quilos. Isso representa um incremento de 6,4% nos embarques no comparativo com janeiro a outubro de 2008, quando o país havia embarcado 23,330 milhões de sacas. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
 
A receita no acumulado das exportações de 2009, de janeiro a outubro, entretanto, tem queda de 9,9%. Os embarques geraram no período receita de US$ 3,414 bilhões, contra US$ 3,787 bilhões em igual período de 2008. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, apesar da tendência de recuperação nas cotações, o ano de 2009 foi muito instável e marcado pela insegurança, o que teve reflexo sobre a performance da arrecadação com a venda externa do café.
 
Tomando-se somente o mês de outubro, as exportações totais foram de 2,644 milhões de sacas, com queda de 17,7% sobre outubro de 208, quando os embarques ficaram em 3,215 milhões de sacas. Em receita, os embarques de outubro chegaram a US$ 391,6 milhões, tendo retração de 24,6% no comparativo com igual mês do ano passado, quando as exportações somaram em divisas US$ 519,3 milhões.
 
Gil Barabach indica que o volume embarcado em outubro ficou dentro das projeções preliminares, que indicam para os últimos três meses do ano algo entre 2,5 e 2,8 milhões de sacas.
 
Já os embarques somente de café verde totalizam 22,5 milhões de sacas ao longo de 2009 até outubro, acréscimo de 10% em relação aos primeiros dez meses de 2008. A receita, no entanto, recuou 8% no acumulado no ano. Já o solúvel, na contramão, apresentou uma forte queda de 18% no volume embarcado, somando 2,3 milhões de sacas em equivalência grão verde. A queda no volume de compras da Rússia e Ucrânia, ainda sobe o efeito da crise econômica, justifica, em parte, a redução drástica no volume exportado de solúvel, comenta Barabach.
 
A Associação Brasileira de Indústria de Café Solúvel (ABICS) argumenta que a apreciação do real frente ao dólar e a diferenciação de tarifas para o café brasileiro, uma vez que o solúvel brasileiro é taxado em 9% para venda nos países da União Européia, o que não acontece com nossos concorrentes, também colaborou com queda de participação no mercado mundial. A receita obtida com a venda de café solúvel alcança US$ 375,3 milhões em 2009, recuo de 22% sobre o mesmo período do ano passado.

 

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