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Governo de Minas promete ajuda para agregar valor ao café

 

postado em 24/11/2009 | Há 8 anos

23/11/2009 - Tudo o que depender do Governo do Estado para agregar valor ao café e melhorar a renda do produtor será feito. Esse esforço será "gigantesco, ciclópico", segundo o vice-governador Antônio Anastasia, que participou da abertura do debate público "café: Importância na saúde e na economia mineira", realizado na tarde desta segunda-feira (23/11/09) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Anastasia informou que o governador Aécio Neves foi a Brasília para um encontro com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, onde pediu uma política para o café, já que as vendas não cobrem os custos da maioria dos produtores.

A reunião conjunta das Comissões de Saúde e de Política Agropecuária e Agroindustrial, pedida pelos deputados Carlos Mosconi (PSDB) e Antônio Carlos Arantes (PSC), foi aberta pelo presidente da ALMG, deputado Alberto Pinto Coelho (PP). "Não nos cansaremos de buscar uma conjugação de esforços para encontrar caminhos para fortalecer a cafeicultura em Minas e no País", disse o presidente.

Anastasia disse que a Alemanha, que não produz um grão de café, detém 70% dos estoques mundiais e dita os preços ao produtor e ao consumidor, preparando os blends e os cafés especiais. "A oportunidade que surgiu para os alemães há 60 anos, no pós-guerra, não foi percebida pelas lideranças brasileiras, que tinham o capital, enquanto a Alemanha estava arrasada pela guerra", lamentou.

O vice-governador fez um apelo à criatividade e à capacidade de inovação do setor. Antes de deixar a reunião, Anastasia foi abordado pelo presidente do Conselho Nacional do café, Gilson Ximenes Abreu, que pediu uma trégua para os produtores endividados, argumentando que a dívida não foi feita por má administração das propriedades, mas por indução de políticas desastradas nas décadas passadas.

Quadro internacional é desfavorável para cafeicultura

O secretário de Estado de Agricultura, Gilman Rodrigues, mostrou pessimismo quanto ao apelo à criatividade feito pelo vice-governador. "Para implantar novas tecnologias, é preciso ter renda. Seria péssimo conselho sugerir ao produtor que faça novos endividamentos. Por mais que interesse ao Governo Federal dizer que a crise acabou, para o cafeicultor não acabou, porque os países compradores estão quebrados, o dólar está baixo", explicou.

O secretário mostra algumas contradições: o salário mínimo e os fertilizantes subiram mais de 500% em dez anos, e o preço do café, apenas 24%. No entanto, o consumo nacional subiu, nos últimos cinco anos, de 39,3 milhões para 46 milhões de toneladas anuais. Ou seja, a crise estrutural está instalada há anos e mesmo assim a produção aumenta. Até para pressionar o Governo Federal por uma política adequada falta poder de fogo à cafeicultura, segundo Gilman Rodrigues. O café já respondeu por 70% da pauta de exportações brasileiras. Hoje é apenas 6,9%. Por essa razão, o governo não vem cumprindo sequer sua política de preços mínimos, de acordo com o secretário.

A resposta para a resistência do produtor de café foi dada pelo secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Alberto Portugal. "café é casamento, um investimento que se faz para amortizar em 15 a 20 anos, como o cacau e a borracha. O produtor decepcionado não pode parar de produzir e substituir a cultura de um ano para outro, como pode fazer o produtor de soja", informou.

O presidente da Comissão de Saúde, deputado Carlos Mosconi, declarou que acompanha há anos negociações intermináveis para se estabelecer uma política para o café. "Acompanho essa luta que é travada com muita raça pelos produtores, mas não se chega a uma solução plausível, que é a renda no final da safra. O Governo Federal não dá ao café a importância devida, nem mesmo a sua importância histórica. O declínio da atividade traz problemas sociais gravíssimos para produtores e trabalhadores do café. Estamos aqui para procurar outros caminhos a serem percorridos", declarou.

O deputado Antônio Carlos Arantes (PSC), que também representa os cafeicultores do Sul de Minas, relatou uma reunião recente em Londres, da qual participaram produtores da África. "Vi de perto a perversidade do mundo capitalista, e ouvi relatos de como a situação na África é mais terrível que aqui, onde o mercado absorve grande parte da produção. Os africanos esperam de nós a liderança para negociar políticas internacionais", disse Arantes.

O presidente da Comissão de Política Agropecuária, deputado Vanderlei Jangrossi (PP), mencionou a grande força reivindicativa dos cafeicultores, que reuniram 20 mil pessoas em praça pública em Varginha. "Minas responde por 60% da produção nacional. Eles pediram preço mínimo, mas não foram atendidos", lembrou. Jangrossi dá um bom exemplo de lucratividade, que é o do ex-governador paulista Orestes Quércia, que produz café de alta qualidade e o vende nas cafeterias que possui em todo o mundo.

Produtores pedem controle de estoque

O chefe de gabinete da Secretaria de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Robério Oliveira Silva, alertou para o alto estoque de café nos países consumidores. Ele defendeu o controle de oferta, por meio de um plano de safra. A proposta foi defendida também pelo diretor da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg), Breno Pereira de Mesquita, que reivindicou mais recursos para o seguro agrícola e adequação do preço mínimo ao real custo de produção. "O custo de produção é maior que o valor de venda. O problema começa aí, temos que ser realistas."

Na fase de debates, os produtores eram unânimes em pedir uma política reguladora de estoque e a prorrogação das dívidas. Segundo eles, a situação é grave e urgente, pois há produtores que sequer têm condições de pagar o 13º salário a seus funcionários.

Benefícios do café para a saúde humana

Quanto às qualidades do café para a saúde humana, as informações começaram com o relato do subsecretário de Estado de Saúde, Luiz Felipe Caram, de que o café é estimulante do aprendizado escolar e benéfico para os pacientes de diabetes 2. "Desde 2005 a lei não permite nenhum grau de impureza no café", assegurou.

A professora Rosemary Alvarenga Pereira, da Universidade Federal de Lavras, disse que o Brasil é o maior produtor mundial, o maior exportador e o segundo maior consumidor de café. Ela reuniu um acervo de 37 mil documentos técnicos publicados nos últimos 30 anos em 5 mil revistas médicas, para afirmar os benefícios do café para a saúde humana.

Segundo ela, quem toma de uma a três xícaras do produto por dia tem 24% menos chance de ter doenças cardiovasculares. O café é benéfico ainda para a redução do colesterol e tem poderes antioxidantes.

Para a pesquisadora, é fundamental informar a população sobre a verdade de alguns mitos relacionados à bebida: "Não existe nada que comprove que o café provoque úlcera, azia ou cause hipertensão. É preciso esclarecer isso, principalmente para os jovens", afirmou.

Presenças - Deputados Alberto Pinto Coelho (PP), presidente da ALMG; Carlos Mosconi (PSDB), presidente da Comissão de Saúde; Vanderlei Jangrossi (PP), presidente da Comissão de Política Agropecuária; e Antônio Carlos Arantes (PSC). Também participaram da reunião o deputado federal Carlos Melles (DEM-MG); o vice-presidente da Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé, Carlos Augusto de Melo; e o integrante da Comissão Organizadora do Movimento SOS café, Eduardo Chaves.

 

 

 

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