Consumo

Vinhos biodinâmicos em debate hoje

 

postado em 24/10/2009 | Há 8 anos

24/10/2009 11:10:24 - A Gazeta - ES

 


Evelize Calmon
ecalmon@redegazeta,com.br

Pedra Azul

Com a palestra "Biodinâmicos: vinhos do céu à terra", o enólogo francês Nicolas Joly abre, nesta manhã, a segunda rodada de degustações do Encontro Internacional do Vinho, que reúne amantes da bebida de Baco até amanhã, na Pousada Pedra Azul, na Região Serrana.

"As novas fronteiras do mundo do vinho" e "As diferenças do terroir de Bordeaux" completam a programação de hoje, que se encerra com a Sessão Premium "Por que 100 pontos?", uma das mais aguardadas.

Reunidos desde a última quinta-feira em Pedra Azul, os participantes acompanharam, na manhã de ontem, a degustação "Espanha: antigo ou novo estilo?", conduzida às cegas pelo especialista espanhol Javier Arauz.

Antes de dar início à apresentação dos sete vinhos do programa – que contemplou do clássico Vega Sicilia Único 1998 ao moderno Alzania 21 del 10 2005, dois dos mais votados pelos degustadores em uma enquete – Arauz destacou a variedade e a relação custo-benefício da bebida produzida naquele país. "Na Espanha, são plantadas uvas de todos os tipos em todas as regiões. É o Novo Mundo do Velho Mundo", destacou.

À tarde, o expert italiano Dânio Braga conduziu a segunda palestra, "Uma experiência "Toscana" na rota imperial", destacando seis vinhos produzidos naquela região, berço dos clássicos vinhos chianti.

A última degustação da programação oficial, "América do Sul por franceses", foi conduzida pelo master sommelier chileno Héctor Vergara, com a presença do enólogo Jean Pascal Lacaze (responsável pela elaboração do vinho Domus Aurea, um dos ícones do Chile) e da produtora Helène Garcin, proprietária de vinícolas em Bordeaux, França, e na Argentina.

Durante a palestra, que teve o maior número de participantes durante o dia, discutiu-se a elaboração de vinhos por enólogos europeus, especialmente franceses, em países como Chile e Argentina. "Produzo vinhos em lugares de climas bem diferentes, mas, os faço com o mesmo carinho e a mesma emoção, dando a mesma atenção", revela a francesa, que produz na Argentina o Poesias 2005, destaque da degustação ao lado dos clássicos chilenos Clos Apalta 2006, Almaviva 2001 e Domus Aurea 2005.

Nos intervalos, música, café e chocolate
Uma feira com 13 estandes e lounge, em uma área de 800 metros quadrados montada no estacionamento da Pousada Pedra Azul, tem sido o ponto de encontro dos enófilos e palestrantes durante os intervalos das degustações. Além de conhecer produtos do agroturismo capixaba e artesanato, e degustar chocolates e cafés especiais, os visitantes do espaço podem colocar o olfato à prova na sala de aromas do estande da importadora Casa do Porto, um dos mais concorridos da feira. O local conta ainda com um lounge para degustação de vinhos e queijos. Outro espaço disputado para quem quer relaxar entre um brinde e outro é o lounge da coluna Sociedade, palco de atrações musicais. Hoje, quem anima a festa por lá, às 19h, é o músico Marcelo Ribeiro.

O melhor não tem de ser mais caro
André Andrès

O principal argumento do especialista espanhol Javier Arauz já foi entendido por muitos restaurantes europeus. Em Londres, Berlim ou Viena, as cartas de vinho dos restaurantes são dominadas por vinhos espanhóis. O primeiro dia de degustações foi marcado por vinhos muito bons, mas, principalmente a primeira prova mostrou como o melhor vinho não precisa ser o mais caro. Arauz fez uma proposta muito curiosa aos participantes: todos deveríamos provar o vinho às cegas e escolher o melhor. Para mim, o vencedor da prova foi o Aalto PS 2005, superior, inclusive, ao ícone Vega Sicilio Único 1998, que recebeu a maior votação. Coisas do mundo do vinho. Mas a riqueza de aromas e sabores do Aalto, juntamente com a relação custo-beneficio (custa três vezes menos que o Vega) fazem dele o vinho do dia. Não é um voto incomum. O Aalto é um competidor muito valoroso, e não são poucas as vezes em que ele vence ícones como o Vega Sicilia. Contribuem para isso o equilíbrio entre boca e nariz, ricos, saborosos. Grande vinho. Prova da grande fase vivida pelos espanhóis, reis da relação custo-benefício, com reza a tradição da realeza madrilenha.


 

 

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