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EXCLUSIVO: Produtores de café querem negociar em Real na bolsa

 

postado em 22/10/2009 | Há 7 anos

Notícias Agricolas

Atualizado em: 21/10/09 às 16:38
 


Cafeicultores e representantes do setor defendem o fim das negociações do café brasileiro em Dólar, para que o produto não perca valor ao ser negociado no mercado internacional. Armando Matielli, cafeicultor, engenheiro agrônomo e diretor da Sincal, é um dos defensores da proposta. “O Brasil, como maior produtor e exportador de café do mundo, fica à mercê de uma bolsa internacional, que é a de Nova Iorque, quando poderíamos fazer todas as negociações na BM&F. Além de ficar também fica sujeito às cotações da Colômbia”.

Matielli ressalta ainda que o Brasil não pode ficar refém das oscilações do dólar e especulações do mercado. “O cafeicultor não pode ficar à mercê e refém dessas especulações. Os nossos trabalhadores recebem em Real. Nós pagamos nossos impostos e encargos sociais em Real e ficamos sujeitos a essa especulação, sem o mínimo critério, em cima de uma moeda podre, que é o Dólar, pois ninguém mais no mundo quer fazer negócios em Dólar”. O diretor da Sincal afirma que as negociações podem até continuar sendo feitas em Dólar, mas desde que haja conversão para o Real.

Valor do café
Matielli informa que, hoje, segundo relatório feito pelo Ministério da Agricultura, o custo da produção de uma saca de café está entre R$ 240 e R$ 370, mas o cafeicultor nem sempre consegue cobrir seus custos de produção, diante dos preços praticados atualmente. “A média seria R$ 305 a saca. Segundo o Estatuto da Terra, nós precisamos de 30% de margem, então nós deveríamos estar vendendo a saca a R$ 435, mas estamos vendendo a R$ 260”.

Hoje, a saca de 60 Kg de café está sendo negociada a US$ 170, mas o cafeicultor não consegue fazer com que seu produto valorize. “O café pode subir aos montes em dólar, lá fora, mas nós temos um dólar ‘afundante’, então amanhã a saca pode chegar à US$ 200, mas estaremos vendendo ao mesmo preço. Quem garante que o dólar não vá cair para R$ 1,40 ou R$ 1,30?” Questiona Matielli.      

Fonte: Redação N.A.


Comentários:

Guilherme
Não vejo muito sentido que o café deixe de ser atrelado ao dólar. Com a queda do dólar, o preço dos insumos irá cair, consequentemente, o custo por saca na próxima safra. E é impossível que o dólar baixe ao patamar de R$ 1,40 ou R$ 1,30, pois o governo não deixaria, o Bacen iria interferir simplesmente porque iria afetar em demasia os resultados da balança comercial brasileira. Livre flutuação cambial não é praticada faz tempo. A tendência é que a moeda americana volte ao R$ 1,60 de antes da crise e se mantenha assim. Quanto ao preço do café, não vejo outra saída a não ser certificação, incentivo a criação de torrefações nas cooperativas para que elas mesmas exportem seu café com valor agregado e estocagem nas mãos dos países produtores.

 

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