Consumo

ES: desembargador justifica e diz "o pó é ordinário, e eu trago o meu de casa"

 

postado em 20/10/2009 | Há 7 anos

20/10/2009 - A repercussão do relatório da inspeção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no Judiciário capixaba expôs declarações contraditórias de membros da cúpula do tribunal. As justificativas de desembargadores para os casos de má administração e manutenção do nepotismo, apontados pelo CNJ, não surtiram o efeito desejado nos meios jurídicos.

Em entrevistas ao jornal “A Gazeta”, o presidente interino do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), Álvaro Bourguignon, e o presidente da Associação dos Magistrados do Estado (Amages), desembargador Alemer Ferraz Moulin, se esquivaram das constatações do relatório. Entretanto, o discurso está longe da realidade apurada durante a vinda dos juizes auxiliares do CNJ. As determinações do relatório final do CNJ incluem ainda trechos considerados jocosos em relação ao Judiciário capixaba.

O principal ponto foi a descoberta de um contrato para análise sensorial do café fornecido ao TJES. O CNJ exigiu a rescisão do contrato e os próprios desembargadores se encarregaram de tornar ainda mais vergonhosa a existência de tal feito. O desembargador Alemer Moulin tentou justificar o contrato ao alegar que a análise do café atende a uma questão de cuidado e higiene.

Em outra direção, o desembargador Sérgio Bizzotto Pessoa de Mendonça, corregedor do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/ES), preferiu usar do preconceito para justificar uma outra contratação, desta vez, de um “café de qualidade”. Para isso, o magistrado disse: "O café que têm servido aqui não é digno nem de vereador em campanha na periferia. O pó é ordinário, e eu trago o meu de casa”. O contrato em questão, firmado no ano de 2005, mas renovado em 2009 pelas mãos do atual presidente, interino Álvaro Bourguignon, prevê a contratação de empresa Carvalhaes Corretores de Café Ltda. para a análise sensorial do pó de café que é fornecido ao TJES. De acordo com a nota oficial do tribunal, a empresa recebeu o valor de R$ 110,00 pelo serviço. As informações partem do Carvalho News / Café e Mercado.

 

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