Mercado

PREÇOS DO CAFÉ DESPENCAM NO MERCADO INTERNACIONAL

 

postado em 26/09/2009 | Há 8 anos

A semana foi bem negativa no mercado internacional do café. E as perdas estiveram basicamente concentradas nesta última quinta-feira, 24 de setembro, quando na Bolsa de Nova York o café arábica caiu 5%, com quedas também acentuadas na Bolsa de Londres para o robusta. No Brasil, as cotações caíram também, mas menos, mostrando a resistência do vendedor/produtor.

Os preços do café vinham bem em setembro. Até o dia 22, acumulavam no contrato dezembro alta de 12,5%. Os ganhos vinham em função do cenário de aperto na oferta no mercado físico, especialmente com o produtor retraído no Brasil e com o fato de que a produção mundial está ajustada à demanda, e também por fatores técnicos. O mercado em NY vinha mantendo bom suporte e resistia a quedas. Com o programa do governo de ajuda aos cafeicultores, visando retirar do mercado 10 milhões de sacas, torrefadores internacionais anteciparam o movimento de compras, especialmente com o inverno no Hemisfério Norte mais próximo, quando se demanda mais café em grandes nações consumidoras. E isso garantia bom suporte aos preços internacionais.

Mas, nesta última quinta-feira tudo veio abaixo. Tecnicamente, o mercado não conseguiu dar sequência a recentes altas e não teve forças para romper resistências gráficas. Além disso, o dólar mostrou firmeza contra outras moedas e as commodities declinaram pelo mundo. O café acompanhou este movimento e caiu 5% somente em um dia. E traders indicam que os preços podem cair ainda mais testando suportes.

Nos fundamentos, o clima vai sendo bom até aqui para as floradas no Brasil, o que encaminha uma boa safra em 2010, que é de alto ciclo produtivo dentro da bienalidade cafeeira. E em pouco tempo começa a chegar oferta de países como América Central e Colômbia. Estes são os aspectos baixistas. Do lado altista, temos ainda uma oferta física apertada neste momento e a resistência do vendedor no Brasil, diante do auxílio com o programa do governo, entre contratos de opção, operações de AGF (Aquisição do Governo Federal) e rolagem de dívidas. E estamos em temporada de oferta bem justa à demanda, com estoques retraídos.

No balanço dos últimos sete dias na Bolsa de Nova York, o contrato dezembro fechou esta quinta-feira (24/09) a 129,30 centavos de dólar por libra-peso, acumulando queda de 5% no comparativo com a quinta-feira anterior (17/09), quando o mercado fechara nesta posição a 136,05 cents/lb. No mês, entretanto, ainda há valorização acumulada de 5,7%.

No mercado físico brasileiro de café, as cotações também caíram, menos, é verdade. Com o apoio governamental e descontentes com os preços, os produtores seguem retendo a oferta, esperando por um cenário mais desfavorável. Isso limitou o impacto baixista das perdas da semana em NY. O dólar manteve-se praticamente estável entre os dias 17 e 24 de setembro, ficando em R$ 1,80.

Assim, tomando por referência o sul de Minas Gerais, o café arábica bebida dura nessa última quinta-feira (24) estava cotado em R$ 253,00 a saca, acumulando queda contra o dia 17 (R$ 260,00 a saca) de 2,7%. As informações são da Agência Safras.

 

Veja tambÉm: