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Cafeicultores são incentivados a renovar lavouras e melhorar produtividade em São José do Calçado ES

 

postado em 28/08/2009 | Há 8 anos

Sexta-feira, 28 de agosto de 2009

São José do Calçado/ES - O 9° Simpósio Regional dos Cafeicultores da Região do Caparaó, realizado em São José do Calçado, reuniu renomes nacionais da área da cafeicultura. Com o tema “Café – suas perspectivas e desafios”, aproximadamente 400 produtores do entorno do Caparaó participaram do evento. O Simpósio foi promovido, nesta quinta (27) e sexta-feira (28), pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café (Cetcaf) e da Prefeitura de São José do Calçado.

A abertura oficial aconteceu no Parque de Exposição Divinéia, na quinta-feira (27), com a presença de autoridades municipais e estaduais. Na oportunidade, o diretor-presidente do Incaper, Evair Vieira de Melo, assinou um convênio de cooperação técnica com a Prefeitura para ampliar as ações de assistência técnica no município.

Evair de Melo afirma que o produtor precisa renovar seus ideais, ter disposição para mudar. “Mais do que renovar a cafeicultura, é necessário que o produtor repense o seu trabalho e tenha vontade de melhorar. “As tecnologias do Incaper previstas podem impulsionar o desenvolvimento da atividade cafeeira. Com a implementação do programa vamos aumentar a produtividade e a qualidade de café. Estamos contribuindo para o desenvolvimento social e econômico dos municípios produtores", destaca Evair.

De acordo com o prefeito de São José do Calçado, José Carlos Almeida, o município tem vontade de se recolocar como um grande produtor de café. “Queremos voltar a ser fortes produtores, e os cafeicultores podem contar com a prefeitura, com Incaper e com o Cetcaf para expandir sua produtividade e qualidade”.

Segundo o superintendente do Cetcaf, Frederico Daher, o encontro tem o diferencial de trazer informações tecnológicas e de mercado. “O preço do arábica recuou e as lavouras estão com produtividade baixa. Por isso, é importante mostrar aos produtores alternativas para ter sucesso, mesmo diante desse cenário”.

O presidente do Cetcaf, Dário Martinelli, disse que a cafeicultura tem avançado nas pesquisas, mas muitos produtores ainda não praticam as técnicas. “O arábica tem um pacote tecnológico desenvolvido pelo Incaper, mas alguns produtores estão com dúvidas. O encontro tem o objetivo de difundir, de convencer o produtor a substituir sua lavoura. O produtor precisa de coragem, de incentivos para mudar”.

Questões ambientais e trabalhistas da produção, as perspectivas do mercado de café e a melhoria da qualidade do produto foram discutidas no segundo dia do simpósio. O Programa ‘Renovar Arábica’ também é um assunto de destaque, já que mais da metade da produção do café arábica capixaba se concentra na região do Caparaó. O programa tem como meta aumentar a produtividade, por meio do uso de variedades de café adaptadas à região e técnicas que garantam melhoria da qualidade.

Na programação, como parte das discussões sobre Produção e Perspectivas do Mercado do Café, a pesquisadora do Incaper, Maria Amélia Gava Ferrão, fez uma palestra sobre as pesquisas e estudos que resultaram no Programa ‘Renovar Arábica’. Ela falou, também, como uma das pesquisadoras da Embrapa Café/Incaper, sobre o Programa Nacional de Pesquisa Cafeeira e as responsabilidades do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café dentro desse programa.

Café de qualidade

O membro da Sociedade Rural Brasileira e liderança respeitada da cafeicultura no Brasil, Luiz Suplicy Haffers fez uma palestra de motivação na abertura do evento sobre “Valorização da Cafeicultura Familiar”.

Luiz Haffers destacou o imaginário que o café representa. “O café está relacionado ao prazer, à prosa, ao sabor, à união, à amizade. Mas a cafeicultura familiar precisa ser ótima, a boa não é suficiente. Vocês precisam ter produtividade e orgulho de ser cafeicultor. Esse é o grande desafio. Vale mais o saber do que o ter. E é esse saber que precisa ser conquistado e executado. Vocês têm o Incaper e o Cetcaf para transferir para vocês um enorme conhecimento técnico”.

Haffers mostrou as vantagens de ser pequeno produtor. “Vocês têm à mão toda a tecnologia necessária, têm crédito e a mão de obra. Falta decisão, maior esforço e, principalmente, convicção. Que vocês tenham determinação para se transformar em ótimos cafeicultores. E a propriedade familiar é a chave para esse novo desenvolvimento”, afirmou.

Em relação ao preço, Haffers é otimista para aqueles produtores que se dedicam. “Vejo que teremos melhor remuneração pela qualidade. O nosso café é muito bom, mas pode ser melhor”.

 

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