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Postura defensiva de produtores de soja frustra exportadores (21/08)

 

postado em 22/08/2009 | Há 8 anos

CANAL DO TRANSPORTE

22/08/2009  - Os exportadores de soja estão frustrados com os produtores brasileiros, que retêm o que sobrou de suas safras à espera de preços mais altos. "Temos destinos que gostariam de receber soja, mas não conseguimos comprar volumes neste momento", contou um executivo de uma grande trading dos Estados Unidos.

Os sojicultores já negociaram cerca de 90% da safra 2008/09, estimada em 57,1 milhões de toneladas pela COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB).

Alguns Estados, como Paraná e Rio Grande do Sul, possuem estoques maiores porque colheram a safra mais tarde. Mas o Mato Grosso, maior produtor nacional, e outros Estados do Centro-Oeste, têm pouca soja para negociar.

Fontes da indústria dizem que os produtores não têm pressa para vender e esperam os preços da commodity subir. Trata-se de uma postura corriqueira durante a entressafra, quando a maioria dos exportadores tende a buscar soja no Hemisfério Norte.

Um trader disse que os volume de negócios pode crescer se os produtores, descapitalizados, precisarem de dinheiro para financiar o plantio da próxima safra. Em algumas regiões do Mato Grosso, o cultivo começa já em setembro.

As vendas também podem crescer se os produtores se convencerem de que uma safra recorde nos Estados Unidos pode pressionar as cotações.

O analista da grãos da Cerealpar, Steve Cachia, lembrou que a produção menor de Brasil e Argentina na última safra provocou um aperto maior do que o normal nesta época do ano. "Cerca de 10% da safra ainda não foi negociada, mas os estoques podem acabar nas próximas semanas", alertou.

Cachia ponderou que os compradores ainda não adotaram uma postura de negociação mais agressiva. "Parece que exportadores e esmagadores locais possuem bons estoques e pretendem usá-los até que a nova safra americana esteja disponível", afirmou. As informações são da Dow Jones.


Stephanes descarta risco de queda no preço da soja

RODRIGO VARGAS
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CUIABÁ


O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem, em Cuiabá, que não acredita na possibilidade de uma crise de preços no mercado de soja a partir da próxima safra e que a demanda continuará "muito forte".

Segundo o ministro, não é possível prever como se comportará o câmbio, um importante fator na determinação dos preços.

Analistas de mercado do Brasil, Estados Unidos e Argentina, mencionaram anteontem durante a Bienal dos Negócios da Agricultura em Cuiabá, a possibilidade de queda nos preços.

Entre os motivos do pessimismo apresentados pelos analistas, estão a possibilidade de safras excelentes nos três países, a demanda instável e mudanças na estratégia comercial da China.

O analista americano Darin Newson, um dos participantes da mesa, estimou a possibilidade de o preço à vista do bushel de soja (medida americana que equivale a 27,2 quilos) cair a US$ 6. O brasileiro André Pessoa, da Agroconsult, cogitou um piso de US$ 8 o bushel.

Stephanes, porém, não acredita nessa possibilidade. "Acho que o mundo vai continuar com demanda muito forte em relação à soja. Agora, o que nós temos que analisar é qual vai ser de fato o aumento da produção no mundo", disse.

Segundo o ministro, se houvesse um impacto nos preços, ele já estaria acontecendo. "No caso do Brasil, pode haver uma diminuição da área de milho e compensação com soja, por exemplo", disse ele.

O analista André Pessoa, considera que o risco de queda nos preços existe, mas disse discordar do cenário previsto pelo americano Darin Newson. "Acho que chegaremos a um piso de US$ 8 o bushel, o que é preocupante. A soja comercializada a US$ 6 seria uma catástrofe."

Na quarta, o ministro Stephanes anunciou a retomada na próxima semana dos leilões para o escoamento da produção agrícola, viabilizados a partir da liberação de uma verba de R$ 1,5 bilhão.

 

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