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Fair Trade - Comércio Justo gera trabalho e renda em 51% dos municípios

 

postado em 25/07/2009 | Há 7 anos

24/07/2009 23:07:32 - DCI

BRASÍLIA  - Uma nova economia está nascendo da prática do Comércio Justo no Brasil e no mundo. Denominada como Economia Solidária, está baseada na cooperação, solidariedade, democracia interna, equilíbrio ambiental, geração de oportunidades para homens e mulheres em desvantagem social, preço justo, respeito aos direitos das crianças, divisão de resultados e maior justiça no comércio mundial.

O Comércio Justo - ou Fair Trade, em inglês, ainda é novidade para algumas comunidades do País, apesar de já trabalharem e produzirem em grupos, associações e cooperativas, de acordo com os princípios da Economia Solidária. Segundo levantamento da Secretaria Nacional da Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), atualmente existem no Brasil cerca de 23 mil empreendimentos de Comércio Justo e de Economia Solidária que geram mais de 2 milhões de postos de trabalho em 51% dos municípios. O setor fatura cerca de R$ 8 bilhões anualmente, de acordo com os mesmos dados.

O tema Comércio Justo foi destacado em seminário promovido dentro da Feira do Empreendedor 2009 no Distrito Federal. O evento foi realizado até domingo (26) em Brasília. O seminário foi prestigiado por caravanas convidadas pelas unidades do Sebrae no Distrito Federal e de alguns estados. As caravanas eram compostas por representantes de comunidades, associações e cooperativas de diferentes regiões, relacionados com a produção coletiva e solidária.

Participaram do evento: Dione Manetti, diretor do Departamento de Fomento à Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); Rosemary Gomes, secretária da Economia Solidária do Estado do Rio de Janeiro e diretora da ong Onda Solidária; Ana Larronda Asti, diretora latino-americana da Organização Mundial de Comércio Justo (WFTO) e moderadora do debate; e Jasseir Fernandes, presidente da entidade Faces do Brasil e da União Nacional de Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária.

A proposta de criação do Sistema Brasileiro de Comércio Justo e Mapeamento da Economia Solidária, encaminhada à Casa Civil da Presidência da República, em novembro passado, como subsídio da futura Instrução Normativa para o setor, foi um dos principais assuntos do seminário. O documento foi fruto de diversos debates e contribuições de movimentos, associações, cooperativas, organizações civis e instituições apoiadoras do Comércio Justo no País. Experiências e práticas de outros países também foram referência na construção da proposta.

Divulgação

Cerca de metade da platéia presente no seminário desconhecia o tema, conforme manifestação ocorrida. “O objetivo da proposta encaminhada à Casa Civil é se chegar à Lei da Economia Solidária para que, futuramente, o Comércio Justo seja regulamentado e reconhecido no País”, explicou o diretor Manetti.

“Precisamos divulgar mais o Comércio Justo e a Economia Solidária e incorporar esses temas no cotidiano de quem vive e sobrevive dessa forma de trabalhar e produzir”, alertou o diretor do departamento de Fomento à Economia Solidária do MTE. “Na economia solidária, quem produz é dono da produção, diferente do que ocorre nas empresas capitalistas”, comparou. Há democracia interna e os resultados são igualmente divididos, ressaltou o diretor Manetti.

Mapeamento

A Secretaria Nacional da Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) foi fundada em 2003 e começou a realizar o mapeamento real do setor no Brasil, em 2005, informou o diretor. Atualmente os dados apontam que existem no País cerca de 23 mil empreendimentos de Comércio Justo e Economia Solidária, geradores de mais de 2 milhões de postos de trabalho, presentes em 51% dos municípios.

A economia solidária brasileira movimenta R$ 8 bilhões por ano, segundo o mapeamento. No cadastro da secretaria há mais de 30 mil entidades relacionadas ao tema. “Já representamos uma fatia importante da economia brasileira”, enfatizou Manetti.

Normas e meios de reconhecer e certificar o que é Comércio Justo são fundamentais para o desenvolvimento e consolidação dessa nova economia. A questão da certificação e comercialização dos produtos é uma das preocupações atuais do setor. “É preciso haver mais do que uma organização que tenha o poder de fixar o selo nos produtos, definindo que são frutos do Comércio Justo”, argumentou.

Ao mesmo tempo os trabalhadores e entidades da Economia Solidária devem dialogar com os diversos segmentos do mercado, ser referência como organização econômica, que também disputa clientela, qualidade e preço. São grandes os desafios, resumiu Manetti.

“Cabe ao Estado regularizar, fiscalizar e criar políticas públicas de fomento à Economia Solidária”, afirmou Rosemary Gomes, secretária estadual fluminense de Economia Solidária. Integrante da Onda Solidária, movimento iniciado no País em 2000 e que hoje atua como plataforma, Rosemary questionou se um selo garante respeito aos princípios do Comércio Justo. “É parte da conformidade, mas não é tudo”, alertou.

Ela também destacou a missão da organização Faces do Brasil, que tem como missão fomentar a criação de ambiente favorável à construção e implementação de um sistema brasileiro de Comércio Justo. “Nós queremos norma reguladora do Estado, mas sem a intervenção do Estado. Queremos mecanismos que dêem proteção aos produtores menos favorecidos”, declarou Jasseir Fernandes, presidente da entidade Faces do Brasil e da União Nacional de Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária. “Produzimos com qualidade, pois as pessoas que vão consumir merecem respeito e não porque somos coitadinhos”, disparou.

Jasseir informou que este ano a União das Cooperativas de Crédito e Produção da Agricultura Familiar (Unicapes), da qual já foi diretor, emprestou R$ 400 milhões em crédito para agricultores familiares nas 27 unidades da Federação. O aumento do número de cooperativas de crédito é uma resposta ao sistema financeiro, que não apóia a Economia Solidária, reclamou.

No mundo

A primeira iniciativa de Comércio Justo data de 1959 e ocorreu na Europa. “No início, o tema estava relacionado ao combate à fome na África e países subdesenvolvidos e tinha uma abordagem assistencialista”, esclareceu Ana Larronda, diretora latino-americana da WFTO.

Em 1969, foi inaugurada a primeira loja de Comércio Justo na Holanda. Atualmente o faturamento do setor é de cerca de US$ 3 bilhões ao ano no mundo, dos quais 80% são oriundos da Europa. Existem mais de 3 mil lojas de Comércio Justo no continente europeu e mais de 70 mil pontos comerciais com produtos certificados.

Na Holanda, o café justo representa 2,5% do mercado e a banana justa, 5%. Na Suiça, o café justo corresponde a 5% do mercado e a banana justa, a 40%. Atualmente a Organização Mundial de Comércio Justo (WFTO) conta com mais de 300 organizações integrantes.

A rede européia de Lojas do Mundo (worldshops) é composta por mais de 3 mil estabelecimentos. Entre 2004 e 2007, o Comércio Justo foi responsável por 51% do consumo no Reino Unido, tendo crescido 38% nesse período. Em 2007, o setor faturou 1,5 bilhão de euros nesse país.

No Japão, o Comercio Justo cresce atualmente a taxa de 70% ao ano. Esses dados são da União Mundial de Comércio Justo (www.wfto.org). Em janeiro de 2010, O Brasil vai sediar o ‘1º Fórum Mundial da Economia Solidária’ e também ‘1º Fórum Brasileiro da Economia Solidária’, a se realizar no município gaúcho de Santa Maria. Informações a respeito estão disponíveis no site: www.fbes.org.br

Exposição

Além do seminário, o Comércio Justo marcou presença na Feira do Empreendedor 2009 do DF, como tema de um dos maiores e mais bonitos estandes do evento. Localizado na ala oeste do Centro de Convenções, o espaço contém: tapetes e almofadas bordadas por cooperativas da capital federal; bonecas de pano do Mato Grosso; cerâmicas vermelhas de Rio Verde (MS); biojóias feitas de chifre bovino do Pantanal; bolsas de couro de peixe com extratos vegetais de Coxim (MS); cestaria botânica, de Queimados (RJ); bolsas e acessórios feitos de palha de milho da Cooperativa Tranças da Terra (SC); bordados richelieu de Quixeramobim (CE), entre outros.

 

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