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Gripe suína gera insegurança para agronegócio do país

 

postado em 27/06/2009 | Há 8 anos

 --Lovatelli
Por 27 de Abril de 2009 | 12:03

Por Roberto Samora

RIBEIRÃO PRETO (Reuters) - Os casos de gripe suína em humanos, que já causaram 103 mortes no México, geram uma insegurança e incertezas para o agronegócio do Brasil, importante exportador de grãos e de carnes, afirmaram fontes dos setores público e privado.

"Ainda não está claro, não dá para medir o que é factível e o que é especulação. Pode mexer no milho (nos preços), apesar de esse produto também estar focado em energia (nos EUA). Gera uma insegurança", declarou a jornalistas Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), pouco antes da abertura da Agrishow, maior feira agropecuária da América Latina que se inicia nesta segunda-feira em Ribeirão Preto.

"Não tenho bola de cristal", acrescentou, lembrando que esse tipo de endemia, tal como a gripe aviária, é sempre preocupante.

A gripe aviária chegou a afetar os preços das commodities agrícolas há alguns anos. Também derrubou as exportações de carne de aves do Brasil -- apesar de o país não ter registrado o problema --, por uma queda no consumo nos países importadores.

Lovatelli também admitiu que a doença afetaria o mercado de soja, assim como o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi.

"É preciso não haver terrorismo. Não há um nenhum indício de que haja ameaça à suinocultura brasileira", disse Rossi.

"O mercado é sensível, há fatores psicológicos. Se o mercado achar que os consumidores vão comer menos, naturalmente haverá uma reação do mercado, mas isso é um primeiro momento".

Entretanto, Lovatelli citou que no caso de haver embargos aos produtos suínos de países com registros da gripe, como os Estados Unidos, a indústria de carne do Brasil até poderia se beneficiar --as informações são de que a gripe não se espalha pelo consumo da carne.

"Poderia até ser positivo para o Brasil, uma vez que ela (gripe) não chegou por aqui."

Não foram verificadas mortes fora do México, mas já houve 20 casos de humanos contaminados identificados nos EUA, 6 no Canadá e 1 na Espanha. Possíveis casos estão sendo verificados até na Europa, em Israel e na Nova Zelândia.

Apesar das garantias de especialistas de que a gripe não afeta a carne, a China e a Rússia suspenderam as importações de carne suína do México e dos Estados norte-americanos do Texas, Kansas e Califórnia.

João Sampaio, secretário de Agricultura de São Paulo, um importante ponto de entrada de estrangeiros no país, observou que o governo federal já está tomando providências, com a atuação da vigilância sanitária nos aeroportos.

"A principal preocupação é com a transmissão entre pessoas", disse ele, salientando que o Brasil não importa nem exporta produtos suínos para o México, onde a chamada gripe suína surgiu.

O Estado de São Paulo, o maior consumidor de carne suína do Brasil, é importador líquido do produto, trazendo a maior parte de Santa Catarina.

SAFRA 2009/10

Considerando as atuais condições de mercado para a soja, ainda sem contar com uma eventual queda dos preços em decorrência de uma crise motivada pela gripe suína, Lovatelli aposta que a área plantada na próxima safra de soja do Brasil (2009/10) poderia ficar estável.

"A área vai ficar próxima da atual. Os mais otimistas acreditam em um crescimento de 3 a 4 por cento. Os mais pessimistas, em queda entre 2 a 3 por cento", afirmou ele, destacando que a crise financeira ainda causa uma "retração psicológica".

"Ninguém vai abrir área sem ter certeza de que vai tirar proveito", declarou, observando que "os preços estão bastante razoáveis, está 9,50 dólares (por bushel na posição novembro da bolsa de Chicago), e o câmbio está muito simpático."

Mas ele lembrou ainda que o próximo plantio no Brasil, que se inicia entre setembro e outubro, ainda dependerá de como será a safra norte-americana. Os EUA, maiores produtores, ainda não definiram a sua semeadura.

 

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