Comércio

Com a presidência de Manoel Bertone, Garcafé têm rombo de R$ 62 milhões escondidos com maquiagem contábil

BERTONE responde Ação Ordinária de Reparação de Danos movida pela GARCAFÉ EM LIQUIDAÇÃO

 

postado em 28/05/2009 | Há 8 anos

A Garcafé (Cooperativa dos Cafeicultores de Garça) tem um rombo de R$ 62 milhões em dívidas acumuladas e escondidas por maquiagem contábil. A principal causa: compra e venda com prejuízo para a instituição.

O rombo, quase mesmo volume da dívida na Prefeitura de Marília - foi revelado por perícia contratada por uma comissão liquidante da Cooperativa.

O resultado surpreendeu os cooperados. A maquiagem contábil de 15 anos foi agravada por erros graves na comercialização.

Segundo o presidente da comissão liquidante da Garcafé, José Wilson Lopes, o que a perícia demonstrou foi que a entidade foi administrada de forma irresponsável com prejuízos continuados.

"A situação financeira não era mostrada de forma real. Balanços foram maquiados e chegou uma hora que ficou demonstrado que a administração era despreparada", disse Lopes.

Só nos últimos cinco anos a Garcafé atingiu dívida de R$ 19 milhões. Segundo documentos da perícia a forma como o café era comercializado foi a principal responsável.

Lopes diz que as exportações foram deixadas de lado, focando as vendas no mercado interno, com o agravante de que o produto era adquirido e vendido abaixo do preço de mercado.

"Não temos condições de dizer se houve desvio. A comercialização é uma história esquisita porque houve operações que se vendeu muito abaixo do que a Garcafé havia comprado. A comercialização foi o principal ponto do prejuízo. Foi uma administração irresponsável", declarou Lopes.

Desde junho de 2005, quando o então presidente Manoel Bertone foi afastado e quando a dívida girava em torno de R$ 47 milhões, a Garcafé se encontra em processo de liquidação.

Bertone acompanhou a apresentação da perícia e disse ser inocente. Afirmou que não houve maquiagem ou qualquer manobra contábil para disfarçar crise.

Quando foi afastado da direção, ele pretendia ratear rombo de R$ 20 milhões entre os 865 cooperados. Proposta foi rejeitada, Bertone afastado e a Garcafé entrou em liquidação.

Bertone ocupou cargos de destaque na cooperativa ao longo de mais de 15 anos. Começou como assessor especial, passou para diretor e em 1995 foi eleito presidente, cargo em que ficou até 2004.

Após assumir a comissão liquidante, além de cortar gastos e demitir funcionários, José Wilson Lopes solicitou auditoria nas contas da entidade.

Agora, diz ele, a intenção é entrar na justiça para tentar punir os responsáveis pela dilapidação do patrimônio, além de reverter a situação dos cooperados.

"Em vez de réus, queremos que os cooperados sejam reconhecidos como vítimas de uma estrutura montada. São pessoas de muito pouca informação e que não tinham como ter conhecimento do que ocorria", declarou Lopes.

 

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